Ela não era bonita nem feia
Inteligente nem burra
Feliz nem triste
Tímida nem desinibida
Popular nem escanteada
Interessante nem ignorante
Amada nem odiada

Ela era um meio termo
Um mais ou menos
E isso é o que a tornava só mais uma

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A menina do lenço

A menina não tem cabelos ao vento, em seu lugar, tem um lenço. Esse lenço é trocado todo dia, “de acordo com meu humor” diz ela. Engraçado, o lenço que usa é sempre um de cor bonita e alegre, a menina parece nunca estar triste. Ela adora se maquiar, sempre foi assim, desde que descobriu o estojo da mãe. Se pinta combinando com o lenço, uma graça.
A menina passa muito tempo no hospital, mas com sua simpatia já fez várias amigas dentre as enfermeiras e colegas de quarto, juntas elas brincam por horas, conversam sobre música, teatro, dança, por sinal, ela ama dançar, passaria horas bailando se pudesse. Recebe muitas visitas, quem a conhece sempre volta pra vê-la novamente.
No seu quarto, sua cama é logo identificada, lá está Maria, a boneca que ganhou de sua mãe pouco depois que descobriu a doença. Maria também usa um lenço, que também é trocado todo dia, ela não tinha muitas coisas, mas assim como a menina, Maria tem um belo sorriso no rosto.
Quando as enfermeiras estão ocupadas e não tem visitas, a menina adora olhar pela janela do hospital, de lá vê várias borboletas, ela acompanha o voo das borboletas e aquilo causa nela uma alegria imensa, a menina mostra a paisagem a Maria e juntas gastam horas e horas apenas observando a natureza, as cores, as formas e aquelas borboletas.
A menina é tão feliz, e não se sabe disso porque ela diz, a menina transmite alegria, sorri por pouca coisa, por poucas palavras. Ela chora, lógico, quem não chora? Mas ela sabe o valor do sorriso e não gosta de perder tempo com as lágrimas.
E eu imagino o quanto a gente tem a aprender com a menina e com a boneca, têm tão pouco e se agradam com o que tem, têm tantas dificuldades, mas não tiram o sorriso do rosto. Acho que às vezes temos que usar o lenço delas, perceber as coisas simples e ignorar as coisas pequenas, pois é, às vezes simples e pequeno são palavras antagônicas. A verdade é que o mundo deveria ter mais pessoas assim, com lenços, lenços ideológicos.

“Cartas extraviadas” de Martha Medeiros

Há, aproximadamente, seis meses, eu conheci essa incrível escritora ao ouvir sua crônica “Dentro de um abraço”, a partir de então comecei a pesquisar sobre ela e descobri que já havia lido trechos de crônicas suas na internet e me encantei cada vez mais pela forma como a ela usa as palavras, mas principalmente pelos temas sobre os quais escreve. Até hoje, já li três de seus livros, entre eles Divã que deu origem ao filme estreado por Lilian Cabral, mas para minha surpresa meu pai, sabendo do meu mais novo fanatismo, me deu de presente “Cartas extraviadas”, um livro de Martha de (para a minha surpresa) poemas.
Não sei porque, mesmo conhecendo o texto dela, eu achei que o livro não seria tão bom, porque na minha cabeça Martha Medeiros tinha perfil de cronista. GRANDE erro. Comecei a ler o livro e na segunda poesia eu já estava simplesmente apaixonada pela Martha poeta.
Esta segunda poesia inclusive, ainda é, para mim, a melhor do livro, mesmo eu não o tendo acabado.. Talvez por me lembrar alguém, talvez por parecer comigo, mas decidi mostrar ela a vocês, para terem uma breve ideia.

“saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o descohecimento
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
eu não lhe provei as lágrimas
é no liquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se reconhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados”

Aquilo que eu quero

Quero mais sorrisos
Sorrisos mais verdadeiros
Quero lágrimas
Mas só as de emoção e alegria
Quero olhos brilhando
Um brilho de esperança e perseverança
Quero amor
Muito amor

Quero menos preconceito
Menos hipocrisia
Quero mãos dadas
Em busca de um prol único
Quero paz
Muita paz

Quero fidelidade
Mas sem esforço
Quero uma sinceridade livre
Espontânea
Quero a verdade
Sempre a verdade

Quero um mundo melhor
Mas só querer não adianta
Tenho que buscar
Correr atrás
Fazer minha parte
Distribuir amor, paz e verdade
Afinal é isso que eu quero

“Diário de uma paixão” de Nicholas Sparks

“É um daqueles livros românticos melosos?”. Foi a primeira coisa que me perguntaram quando eu disse que estava lendo Diário de uma paixão. Dependendo do conceito de “livro romântico meloso” dessa pessoa, talvez ele seja realmente.
Talvez seja pela minha insistência em acreditar que o amor verdadeiro e o cavalheirismo existem que me fizeram apaixonar por Noah, talvez tenha sido apenas a necessidade adolescente que todas têm de encontrar seu amor, mas esse livro me tocou de uma forma que nenhum outro tinha até hoje. Se bem que cada livro que eu leio me toca de um forma diferente, me surpreende ao me fazer sentir de uma maneira única e é por isso que eu continuo lendo e me apaixonando pela leitura.
Entretanto, a questão não é essa. O livro fala sobre Noah e Allie que nas entrelinhas da vida se encontram e se amam. Tem um final feliz? Não necessariamente, mas eu não consegui ficar triste ao acabar de ler, as palavras que ele disse a ela, as cartas, foi isso que eu guardei ao final do livro e as minhas lágrimas na última página do mesmo foi de encantamento por aquele casal que tanto se amava.
Talvez eu seja uma romântica incorrigível (e eu uso esse termo por causa de um outro livro que eu li), mas Diário de uma paixão é um livro que eu recomendo para quem gosta de se apaixonar lendo, se apaixonar pelo livro, pelo personagem, pelo autor, por si próprio.
E, realmente eu sonhe demais, mas eu desejo um Noah para cada uma de nós.

A humanidade continua desumana

Sinceramente, já não sei quantos textos contra preconceito já li, e com tanta repetição eu achava-os desnecessários, na minha cabeça não era possível que as pessoas ainda desrespeitassem gays, negros, pobres ou o que for. Na minha cabeça já não era necessário clichês como: “Somos todos iguais”, ingênua eu!
O fato é que ainda há pessoas que se importam com a cor da pele e fecham os olhos para a corrupção, há pessoas que sentem “nojo” dos homossexuais e não se importam com o que o ser humano está fazendo com o planeta. Resumindo, o mundo está repleto de idiotas.
Eu esperava mais da humanidade, mais racionalidade desses animais ditos racionais, e além de tudo eu esperava mais sensibilidade, mas a gente cresce e vai descobrindo que o mundo não é cor de rosa, ou azul, vermelho.. O mundo está tão preto e branco.
Se as pessoas ao menos guardassem seus preconceitos para si e tentassem resolvê-los sem demonstrar sua ignorância, mas não, fazem questão de maltratar, machucar, os “diferentes”. Apesar de tudo, apesar da repetição que já falei, fico feliz ao ler textos contra preconceito, gosto de ver que há pessoas conscientes, que lutam para abrir os olhos das pessoas, ou, mudando o clichê, que lutam para fechar os olhos das pessoas e fazê-las sentir o próximo não se importando com sua aparência.
Acredito que um dia todos terão as mesmas oportunidades, talvez seja um sonho distante, talvez alguns diam ser impossível, mas eu não me importo. Aprendi na minha vida, que temos que acreditar no que queremos, que temos que ser positivistas, porque aí sim as coisas podem acontecer. Quem sabe de texto em texto, debate em debate, clichês em clichês, nós não consigamos o tão sonhado “mundo melhor”.

Redescobrindo um sentimento

Renato Russo em “Quase sem querer” canta: “Me disseram que estavas chorando e foi então que percebi como te quero tanto”, e naquela noite eu só lembrei disso enquanto falava com você. Nos conhecemos há tanto tempo que perdi as contas com o passar dos anos, e sempre me viste dessa forma: Uma amiga. Não a melhor amiga, não a irmã confidente, mas uma amiga, colega de classe.
Não nos falávamos a tanto tempo, mas naquele dia eu sabia que estavas mal, tinha que falar contigo, compartilhar aquela dor, e quando eu perguntei como estavas, tu me falaste da outra, daquela com quem passaste tanto tempo, aquela a quem tanto invejei por te ter. Porém, naquela noite eu tive o ápice de raiva dela, não por ela ter tido os beijos que eu não tive, as declarações que não ouvi, as músicas que não dancei contigo, naquele dia eu só conseguia odiá-la por ter acabado o que vocês tinham e ter te deixado tão triste, tão mal.
E “foi então que eu percebi como te quero tanto”, percebi que o amor que eu sentia por você não era apenas carnal, eu te amava de verdade, era um amor sincero, eu queria ver tua felicidade não importando se era comigo ou não… Não era.
Naquele dia eu torci com todas as minhas forças pra ela voltar pra você, pra que ela me possibilitasse ver de novo aquele teu sorriso que eu nunca conseguiria arrancar, só ela.
Naquele dia eu percebi que não era uma paixão ardente, era um amor sincero. Queria te pegar no colo a medida que as palavras dolorosas iam saindo da tua boca, e a medida que essas palavras iam saindo eu ia tendo a certeza de que tudo o que eu queria era tua felicidade, mesmo nos braços de outra, aos beijos com outra. Queria te ver sorrir, mesmo assistindo de longe.

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