“Cartas extraviadas” de Martha Medeiros

Há, aproximadamente, seis meses, eu conheci essa incrível escritora ao ouvir sua crônica “Dentro de um abraço”, a partir de então comecei a pesquisar sobre ela e descobri que já havia lido trechos de crônicas suas na internet e me encantei cada vez mais pela forma como a ela usa as palavras, mas principalmente pelos temas sobre os quais escreve. Até hoje, já li três de seus livros, entre eles Divã que deu origem ao filme estreado por Lilian Cabral, mas para minha surpresa meu pai, sabendo do meu mais novo fanatismo, me deu de presente “Cartas extraviadas”, um livro de Martha de (para a minha surpresa) poemas.
Não sei porque, mesmo conhecendo o texto dela, eu achei que o livro não seria tão bom, porque na minha cabeça Martha Medeiros tinha perfil de cronista. GRANDE erro. Comecei a ler o livro e na segunda poesia eu já estava simplesmente apaixonada pela Martha poeta.
Esta segunda poesia inclusive, ainda é, para mim, a melhor do livro, mesmo eu não o tendo acabado.. Talvez por me lembrar alguém, talvez por parecer comigo, mas decidi mostrar ela a vocês, para terem uma breve ideia.

“saudade eu tenho do que não nos coube
lamento apenas o descohecimento
daquilo que não deu tempo de repartir
você não saboreou meu suor
eu não lhe provei as lágrimas
é no liquido que somos desvendados
no gosto das coisas o amor se reconhece
o meu pior e o meu melhor e os seus
ficaram sem ser apresentados”

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“Diário de uma paixão” de Nicholas Sparks

“É um daqueles livros românticos melosos?”. Foi a primeira coisa que me perguntaram quando eu disse que estava lendo Diário de uma paixão. Dependendo do conceito de “livro romântico meloso” dessa pessoa, talvez ele seja realmente.
Talvez seja pela minha insistência em acreditar que o amor verdadeiro e o cavalheirismo existem que me fizeram apaixonar por Noah, talvez tenha sido apenas a necessidade adolescente que todas têm de encontrar seu amor, mas esse livro me tocou de uma forma que nenhum outro tinha até hoje. Se bem que cada livro que eu leio me toca de um forma diferente, me surpreende ao me fazer sentir de uma maneira única e é por isso que eu continuo lendo e me apaixonando pela leitura.
Entretanto, a questão não é essa. O livro fala sobre Noah e Allie que nas entrelinhas da vida se encontram e se amam. Tem um final feliz? Não necessariamente, mas eu não consegui ficar triste ao acabar de ler, as palavras que ele disse a ela, as cartas, foi isso que eu guardei ao final do livro e as minhas lágrimas na última página do mesmo foi de encantamento por aquele casal que tanto se amava.
Talvez eu seja uma romântica incorrigível (e eu uso esse termo por causa de um outro livro que eu li), mas Diário de uma paixão é um livro que eu recomendo para quem gosta de se apaixonar lendo, se apaixonar pelo livro, pelo personagem, pelo autor, por si próprio.
E, realmente eu sonhe demais, mas eu desejo um Noah para cada uma de nós.

Uma Polly em mim

Quando pequena fui levada a ler “Pollyana”. Essa menina de nome robusco é personagem de uma história simples, mas que mexeu com minha visão simples de mundo. O trecho mais bonito do livro ela repete algumas vezes durante o enredo. Tudo começa quando seu pai a presenteia com uma moleta e ela, que nunca teve problemas de locomoção, fica muito chateada, afinal quem em pleno aniversário quer um presente daqueles? Principalmente sendo uma criança. Muito chateda, Polly reclama com o pai, e o que ele diz? Ele diz algo que fica guardado pra sempre no coraçãozinho de Pollyana e de todos que lêem aquele livro: “Não fique chateada por ter recebido esse presente, fique feliz por não precisar dele”.
Foi a partir disso que Polly aprendeu a brincadeira do alegre que se basea simplesmente em ver o lado positivo das coisas, afinal tudo tem um lado bom, até ganhar uma moleta de aniversário. E assim ela ensina a muitas pessoas a viver melhor, e uma dessas pessoas fui eu, uma simples leitora. Depois daquele livro, sempre que passo por algo difícil, eu lembro daquela moleta, daquele pai e daquela Polly. Hoje, logo após chorar lágrimas por quem não merece (afinal quem merece nossas lágrimas nunca nos farão chorar, como alguém já disse por aí) eu sorri, sorri porque percebi que eu tinha ali bem perto de mim um ombro amigo onde eu podia chorar o quanto quisesse e como foi importante aquele ombro amigo!
Não, não é sempre que se consegue focar no lado positivo, mas esse é o desafio, essa é brincadeira.

E se amanhã não for mais possível?

E se tudo acabasse? Se aquela pessoa fosse embora agora, neste instante? Você teria aproveitado suficientemente o tempo que esteve ao lado dela?
Pois é, estava eu assistindo “A última música”,protagonizado por Miley Cyrus, mesmo tendo minhas restrinções contra ela, o filme é muito bonito, intenso, tem uma história que vale a pena, não apenas pelas cenas adolescentes românticas ou pelo protagonista bronzeado, falo da temática, da questão familiar.. Bom, poupando-vos dos detalhes cinematográficos, foi assistindo ele que eu percebi que às vezes não damos valor ao que temos na nossa frente, ao que temos conosco agora e que podemos perder isso tão facilmente, por um descuido, pelo acaso.. Perguntei-me quantas vezes já disse que amava quem verdadeiramente amo, ou quantas vezes já me diverti ao lado dela ao invés de estar falando sobre os problemas ou discutindo, pensei que tantas pessoas não sabem do meu amor e se fossem embora agora eu não teria como contá-las. E é por isso que decidi, que a partir de hoje eu vou dizer que eu amo, vou dizer que gosto que estar perto e vou dizer que se tudo acabasse agora eu choraria por ter que me afastar dessa pessoa, também decidi que não vou me arrepender de algo que fiz, mas apenas daquilo que não fiz, pois mesmo que hoje eu não ame aquele para quem me declarei, no momento que eu falei eu o amava, então fui verdadeira com meus próprios sentimentos, não é porque eu não sinto o que antes eu sentia que ter dito aquele “eu te amo” não valeu a pena, valeu sim!
Às vezes por temos as pessoas tão presentes, elas são tão corriqueiras nas nossas vidas que se tornam não insignificantes, mas esquecidas, elas passam a ser apenas parte repetida no nosso dia, esquecemos de demostrar nosso carinho pois psicologicamente sabemos que teremos ela no dia seguinte e no outro, mas e se não tivermos? A vida não é tão previsível como parece ser algumas vezes, ela pode nos pregar algumas peças indesejáveis e o que eu decidi foi que eu não deixaria me arrepender das várias coisas que eu não fiz quando essa peça me for pregada, para isso terei que engolir o orgulho, a vergonha e dizer o que quero, fazer o que meu coração manda e que tantas vezes eu resisto.

O Teatro Mágico

Notas de um observador: Dentre tantas coisas medíocres encontradas no mundo, da arte e da gente, dentre falta de talento reconhecido, e gênios anônimos, nos vemos envolvidos por um som, bom, não acho que seja apenas um som, meros sons jamais serão tão envolventes.
Não são pelas palavras complexas, nem pela melodia perfeita, o encanto está na combinação de palavras feita quase como uma brincadeira, palavras que parecem ter nascido umas para outras e naquela música foi descoberta esse encaixe perfeito por alguém que vive disso, de entender o que cada pessoa tem necessidade de sentir e transforma esse sentimento em palavras, em músicas.
A música cantada e tocada pelo Anitelli é tão suave quanto os passos da Gabi Veiga no ar, eles montam um espetáculo perfeito, com todos os setores da melhor qualidade, parece que estamos em um mundo de sonhos, pessoas nos rodeando pelo ar e nos encantando com peripécias ao chão e nos nossos ouvidos entrando o som mais intenso que poderíamos conhecer.
Se cada um sentisse um pouco de Teatro Mágico dentro de si, teríamos um mundo inteligente, respiraríamos poesia, sonhos, delicadezas. O que eles cantam está ritmado com nossos pensamentos, está em sintonia com nossa necessidade e a cada acorde esta necessidade vai sendo suprida por trocadilhos e neologismos perfeitos.