A tal sociedade ataca outra vez

Li um texto recentemente onde, depois de vários exemplos, a autora dizia que ninguém faria nada sem ser julgado, e isso é exatamente uma característica da sociedade, porém o problema não se dá por isso, mas sim porque as pessoas se importam com esse julgamento e se martirizam quando estes são feitos. Quem é gordo não teria problemas em admitir isso se não tivesse alguém apontando-o como inferior, e assim por diante.
Se cada um olhasse para seus defeitos e tentassem melhorá-lo, sem culpa, sem medo, sem ter que provar nada a ninguém além dele mesmo, seria tudo mais fácil. As pessoas passariam por julgamentos próprios e isso as fariam crescer, mas o que acontece não é isso.
E o que me pasma é que algumas pessoas além de aceitar esses julgamentos e se submeterem a eles, vão a extremos. Quantos casos não vemos de disturbios alimentares, claro que é um auto-julgamento, mas se outras pessoas não julgassem terceiras, as anorexicas e bulêmicas não viveriam nesse medo, se limitando e fazendo todas as loucuras que vemos.
Se cada metido-a-juìz soubesse a dor que esse julgamento, esse pré-conceito, causa, talvez eles se conscientizassem… Ou não, não entendo mais essa sociedade, seus desejos se dão com o fracasso do outro, é muita inveja, ambição.
Talvez quem leia isso continue a julgar, talvez ninguém ao menos leia isso, mas se cada um se virasse para a sociedade, vendo seus erros e a delatasse com um texto, uma música, um ação, talvez essa sociedade que somos obrigados a estar inclusos percebesse como ela própria se deteora aos poucos e pensaria melhor.

“Quando eu estava no exército me deram uma medalha por matar dois homens e me dispensaram por amar um” Leonard Matlovich

É nesse mundo que vivemos, preconceito estampado em rostos hipócritas, pessoas sendo discriminadas por amar. Enquanto o mundo se disfaz em assassinatos, estupros, há ainda aqueles que param seu tempo para fazer campanhas para que a união homossexual seja negada, e eu só queria entender onde isso vai atingir a sociedade, o que custa deixar que duas pessoas sejam felizes, amando?
Querem me fazer acreditar que é errado dois homens se beijarem, mas para mim não é nada mais que afeto, que carinho, e é exatamente disso que a humanidade precisa, então me diga, onde está o erro?
Imagine a pessoa pela qual és apaixonado, sei que existe, sei que apareceu apenas uma imagem em seu pensamento, agora imagine se subtamente, você fosse proibida de amá-la, imagine se a sociedade simplesmente dissesse que isso é errado, e você tivesse que tirar esse alguém do seu coração. Imagine se você prefirisse ficar em casa do que sair com quem você ama porque teria que, por todo o seu trajeto, aguentar olhares maldosos, de nojo, apenas por você estar de mão dada com a pessoa que mais lhe faz bem. Pois é, doeria, mas é exatamente isso que estão tentando fazer com os homossexuais, estão querendo proibí-los de amar. Não venham me dizer que “é diferente”, não é, são pessoas como nós, com um coração e muito mais garra que a gente, por tudo que tem que enfrentar e ainda terem coragem de seguir em frente.
Há ainda aqueles que intervem com questões religiosas, mesmo eu achando complicado essa questão de fé, pois é o que há de mais pessoal em cada um, deixarei meu raciocínio, Deus nos fez para amar, Ele vê coração, não cara, creio eu, que ao ver um casal homossexual, Ele não olhará se são dois homens ou duas mulheres, mas verá o amor que une os dois, o amor que falta em tanto hétero.. Dizem que não é preconceito, é sim, é não gostar do outro pela opção que ele fez. Queria eu poder mudar o pensamento da sociedade, porém é quase impossível que isso aconteça, por isso escrevo aqui minha indignação e espero que ao ler vocês repensem, mudar o pensamento de pelo menos um para mim já é o suficiente.

Negritude

Um dia desses, enquanto buscava o que fazer, assisti alguns minutos de Globo e vi a propaganda da Taís Araújo sobre o censo 2010, fiquei frustrada por ter que haver uma conscientização para que os negros se assumam nessa cor e assinalem-se como pretos. E antes que as críticas surjam, eu não estou acusando que a propaganda é errônea, estou apenas querendo dividir meu constrangimento, pois claramente vimos que vivemos em um país multiracial e mais além, multicultural. E mesmo assim há muitas pessoas insistindo em querer “uniracionalizar” o Brasil, se colocando como pardos e indígenas, ou até brancos e amarelos, que não são. E sim, mesmo com minha frustração, também construirei um texto de consientização.
A beleza do Brasil está na diversidade e é importante que no censo apareça essa mistura de cores, assinalemos sem medo que somos pretos e não tenhamos vergonha de nos assumir dessa forma, pois ser negro é ser brasileiro também, temos que lembrar que é mais que uma resposta a uma pesquisa, é uma resposta a você mesmo, sua cor é sua identidade. A medida que camuflamos nossa raça, tornamos mais fácil o Brasil ser um domínio dos de cores claras. Não quero, de forma alguma, inverter o jogo e menosprezar as raças ditas como “superiores”, e caso pareça isso, meu depoimento jaz em vão, tenho como intuito mostrar às pessoas que cada um com sua cor forma o que chamamos hoje de Brasil e nenhuma dessas pessoas podem negar ou omitir o que visivelmente são.
E se a Taís tenha que continuar fazendo propagandas de conscientização, e eu tenha que continuar a fazer textos veridicamente melosos, continuaremos, até alcançar nossos objetivos e o Brasil se torar, no papel, um país colorido.