Lágrimas dolorosas

Ela estava em um canto, chorava um choro tranquilo, soluçava ritmadamente. Suas lágrimas caiam, mas ela não tinha o desespero de limpar o rosto com as mãos como se faz na maioria das vezes, deixava as lágrimas rolarem e tomarem o destino que achassem mais conveniente. Era choro de tristeza, isso eu podia facilmente descobrir, mas não era choro de morte, não era choro de vergonha, era outro choro, um choro que eu ainda não conseguia distinguir.
O lugar estava vazio, só havia eu e a menina, e por ser um lugar tão pequeno quase que me peguei contagiada pelo choro da pequena menina, mas me contive, o lugar era muito pequeno para dois sofrimentos. Me sentei ao seu lado, não falei nada, apenas fiquei ali ouvindo seu choro e seu soluço, vez por outra ela fechava os olhos com mais força como se quisesse expulsar algum pensamento, tenho quase certeza que não conseguiu.
O choro dela era doloroso, dolorido, era um choro comovente, doía em quem assistia. E foi então que ao seu lado eu vi uma foto, a foto, na verdade, duas partes de uma mesma foto. Dois rostos apaixonados separados por um rasgo violento.
Mas olha que contradição, aquele choro tão dolorido era um choro de amor. Amor que não deu certo.

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