Paixão em passos, amando no ritmo

A casa estava cheia, como costumavam dizer nos bastidores quando o teatro lotava, era minha primeira apresentação e naqueles segundos que antecediam-na tentei lembrar a sequência do que eu iria fazer no palco, mas o que veio a minha mente foi um branco, seguido por um medo, de cair? talvez, de não saber o que fazer? provavelmente, de como a platéia ia reagir? exatamente. Minhas mãos suaram tanto que meu vestido ficou com uma mancha mais escura, minhas pernas estavam trêmulas e na hora que virei para sair das cochias e ir não sei pra onde, ele segurou meu braço com uma mão, na outra havia um copo plástico com água na metade, ele me olhou nos olhos, me ofereceu o copo, eu bebi e o coloquei no canto. Ele balonçou positivamente a cabeça, estava na hora de entrarmos no palco, a cortina estava fechada para nos acomodarmos, e as luzes apagadas.
Com relutância fui ao meio do palco, aquele que tanto almejei, nos posicionamos um de frente para o outro, eu mais na direita e ele mais na esquerda, os rostos próximos, os olhos fixos, dessa vez eu que balancei a cabeça, negativamente, ele colocou minha mão em sua escapula, e segurou na minha cintura, naquela posição artística que eu me sentia tão bem, e disse que alí éramos só nós dois dançando para nós mesmos, como amantes, enamorados, como um casal apaixonado. A cortina abriu, as luzes se acenderam, três toques e a música começou, um bolero bonito, para trás, um, dois, três, meio giro, queda, meus olhos voltaram para ele, um. Dois. Um, dois, três, a letra francesa entoando, levemente, e eu sentindo-a em mim, nos meus passos, e nos dele também. Nos afastamos no ritmo, cada um em um lado do palco, cogitei olhar para a plateia mas lembrei que éramos só nós dois, corri, corri e pulei em seus braços, fortes, seguros, cruza, abre, frente, cruza, gira. Os olhares se encontram novamente. Fim da coreografia. Fim da música, e aí sim meus ouvidos captaram outro som a não ser a música e nossos batimentos, ouvi aplausos, mais que isso ouvi gritos, vi pessoas se levantando e aplaudindo fortemente. Curvei-me olhando para frente como aprendi, enquanto minha lágrima caia, unica, sincera. Eu havia dançado em uma casa cheia, eu havia surpreendido, inclusive a mim mesma. Olhei para o garoto ao meu lado, alí ele era só mais um, mas quando dançava ele era meu, meu amante, meu par, e isso me encantou.

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Rafaela Pequeno
    jan 28, 2012 @ 00:21:58

    Você me fez lembrar de quando eu entrei, pela primeira vez, no palco acompanhada. É um conto maravilhoso. Beijos

  2. IasminMendes
    jan 28, 2012 @ 00:24:26

    Sensação maravilhosa! Obrigada amiga.

  3. Mariana
    jan 28, 2012 @ 21:59:44

    Obrigada por me fazer chorar amiga, porque foi assim que eu me senti, não na primeira vez que eu dancei, mas da ultima =* Hate you.
    Beijos, Mariana (love u)

  4. IasminMendes
    jan 28, 2012 @ 22:07:53

    kkkkkkkkkkkk, ow amiga, queria lhe fazer chorar não.

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