Aprendendo a ser mãe

Ele chegou, passou direto por mim, não me deu boa tarde, apenas jogou sua mochila no sofá foi para o seu quarto. Há algum tempo ele andava estranho, mas a última vez que ele não falara comigo ao chegar em casa foi qunado acabou com a namorada e se magoara muito, ele realmente gostava dela.. Esperei, Cadu odiava quando eu invadia sua privacidade com perguntas como “O que houve?”. Passaram-se 20 minutos, ele não saira do quarto. Minha intuiçao de mãe não podia estar errado: meu filho não estava bem. Fui descobrir o motivo.
A porta estava trancada, sinal que me queria longe, ele sempre foi muito aberto e quando tomava medidas como estas, havia uma razão, uma razão que sempre me preocupava e doia em mim, pois doia nele.
Bati na porta do quarto, eu sempre ficava muito confusa sobre o que fazer quando ele se sentia mal, ele não gostava de me contar, mas eu como mãe sabia que tinha que tomar uma providência, bati novamente, ele gritou o conhecido “quero ficar sozinho” dos filhos adolescentes, ele é filho único e eu o tive muito nova, o que significa nada de experiência. Tentei ser mais fria dessa vez, eu sempre mudava minhas táticas e na verdade nenhuma delas dera muito certo, acho que isso chega a divertí-lo.
– Preciso me preocupar?
– Nunca precisa, mãe.
Parei, tinha que pensar em algo, foi péssima minha idéia de frieza, que tipo de mãe seria desse jeito. Me entreguei.
– Cadu, abre essa porta, filho, me conte o que houve.
Nunca o chamava de Carlos Eduardo, ele certa vez me disse que esse nome ficava estranho na minha voz, parecia que ele estava prestes a morrer.
– Se não foi nada porque entraste no quarto sem nem almoçar.
– O que voce quer saber, na verdade, porque eu não falei com você, pois sabe muito bem que muitas vezes eu almoço com o pessoal.
Ele me conhecia muito bem, éramos muito amigos, sorri. Desde que seu pai morrera tínhamos um vínculo muito grande, porém minhas responsabilidades aumentaram e eu, que mal sabia ser mãe, tive que me virar como mãe e pai.
– Tudo bem, você está certo, mas não me deixe aflita, abra essa porta porque eu não me sinto muito a vontade conversando com ela.
Ouvi uma projeção de riso, e para meu alívio como sequência passos e uma chave destrancando aquela porta.
– O que houve, Cadu?
– Problemas meus mãe, não quero que se preocupe com isso, você tem seus problemas e não é nada grave, eu prometo. Vá se deitar e eu juro que está tudo bem, eu apenas não me sentirei a vontade te contando isso, bom, você é mulher.. Desculpa mãe.
Eu não podia exigir que me contasse tudo, ele era apenas um adolescente e tenho certeza que muitas coisas ele preferiria tratar com um pai. Ele me deu um beijo na testa que sempre me acalmava e eu fui ao meu quarto, feliz por meu filho estar bem e por ter aberto a porta para mim. Sorri satisfeita com meu papel de mãe.

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