Nas idas e vindas

O vento é artificial, gélido, estou por baixo de dois cobertores que são insufiecientes, minha cabeça encosta no vidro e se machuca a cada turbulência da estrada íngreme, meu rosto virado para a janela oposta vê vultos constantes  de um lugar que não é meu, um lugar que passa por mim assim como eu passo por ele, uma reta que assim como a ponte do Lenine, não é para ir nem para voltar, é somente para atravessar, atravessar e chegar em outros ares, outras paisagens naturais e arquitetônicas.
A estrada está marcada em mim, como as marcas que se fundem nela mesma pelos pneus de carros equivocados, eu não seria nada sem aquela reta, não poderia ir a lugar nenhum se não tivesse ela para me levar ao meu destino. O mundo seria homogêneo e sem graça se entre dois locais não existisse ela, a estrada, se os lugares não fossem divididos por ela.
O som da música se une com o som dos pneus no asfalto e toma um ritmo perfeito que acolhe meus pensamentos, ou embala meus sonhos, e em ambos os estados, com os olhos abertos ou fechados apenas o que eu penso é no novo, naquilo que está me esperando, talvez o lugar eu já conheça, mas alguém já disse “um homem não passa duas vezes no mesmo rio” isso porque muda o homem e muda o rio, e assim nenhuma ida será a mesma, a estrada pode levar para o mesmo lugar, mas a sensação sempre dependerá da ocasião. E na volta o que se passará na minha cabeça será apenas o retorno ao lar, afinal a mesma estrada que leva, trás, a estrada acolhe, ensina caminhos, mostra atalhos e acaba no destino, destino esse que será berço de sensações, sentimentos e emoções.
A estrada é inconcreta, mesmo estando sempre alí tudo o que passar por ela, ficará nela, nunca se lembram do que aconteceu naquele asfalto, mas sim no que aconteceu ao fim dele, nunca dizem que a melhor parte da viagem foi na estrada, mal lembram eles que a viagem nem ao menos teria acontecido se não fosse por ela, e assim a estrada se torna esquecida, apenas servindo ano após anos aos viajantes que por ela passa, vendo famílias felizes, recém casados indo à lua de mel, adolescentes bêbados que mal sabem para onde ir e acidentes, ah, os acidentes, estes marcam-na ainda mais com o vermelho do sangue.
Eu presto aqui minha homenagem à estrada e agradeço por ela me guiar aos melhores locais que já conheci!

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. stellio mendes
    mar 12, 2011 @ 14:47:18

    mim.
    recorro ao poeta sevilhano antônio machado: ” caminhate não há caminho. o caminho se faz ao andar”.
    dou graças a deus por nossas viagens, fazedo caminhos tão divertidos e culturais.
    parabéns pelo texto.
    e obrigado pelos caminhos que temos percorrido juntos.

  2. IasminMendes
    mar 12, 2011 @ 16:22:41

    Os caminhos que percorro junto a ti são sempre os melhores! Obrigada.

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