De repente, noiva

Fechou-se o último botão. Ainda faltava bastante tempo, era cedo, eu podia ter dormido mais. Analisei-me, o corte era perfeito e até disfarçava minha imperfeições corporais, o branco destacava-se em minha pele, não era a primeira vez que percebia isso. A cauda do vestido se alastrava pelo chão, e quase se difundia no tapete nude pela sua leveza. Minha maquilagem já estava pronta, simples, nada de muito chamativa, um pouco de preto nos meus olhos eu já me sentia gótica, então preferi assim. Eu estava pronta, pronta para entrar na igreja, sentir o peso de 123 pessoas me olhando, chegar ao altar e dizer o tão esperado “sim”. Colocou-se o último grampo que prendia o véu ao meu cabelo.
Maquiadoras, cabelereiras, manicures e afins saíram, me deixando apenas com meu próprio eu, um eu que assim que se viu sozinho comigo me perguntou se aquilo era a coisa certa a fazer. Uma pergunta que eu fazia questão de esconder dentro de mim, exatamente por medo de não saber responder. Eu não sabia. Sim, ele era especial, mas eu não sabia se o que eu sentia era o suficiente para encarar a palavra “casamento”. A partir do momento que, em cima daquele altar, eu dissesse um sonoro “sim”, estaria comprometida em passar a ter uma vida a dois, que talvez eu não estivesse preparada.
Afundei-me no sofá, pesada pela dúvida, meses de preparação, e logo naquele momento fui pensar se aquilo era o certo, vi uma foto na mesinha ao meu lado, Bariloche-2008, nós dois e montanhas congeladas atrás. Peguei. Virei a foto. Li: “Percebi sua insegurança, não quero lhe forçar a nada, se for pra entrar na igreja te quero com o sorriso que vi quando te conheci, perfeito, não com dúvida estampada em seu rosto. Pense bem, estamos prestes a mudar nossas vidas. Mas saiba que se isso for apenas insegurança estou disposto a ficar ao seu lado até que ela passe. Prometo fazer-te a mulher mais feliz do mundo, só poderei fazer isso, no entanto, se você se dispuser, se você tiver certeza que me ama. Com um amor exorbitante. Paulo.” Lembrei de como nos conhecemos, de quando começamos a namorar, das risadas, das palavras que ele me dizia, e dos trocadilhos que só ele sabia fazer, daquela viagem a Bariloche que oficializou tudo. Lembrei também que o amava infinitamente e prometi a mim mesma que jamais iria esquecer esse fato. Casei.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Jullyanne Rayssa
    out 02, 2010 @ 00:55:42

    Aii Iasmin que coisa mais linda, o Segundo mais lindo do Blog, o Primeiro é o meu claro,mais enfim,tá perfeito amiga *—*

  2. iasminmendes
    out 02, 2010 @ 09:47:20

    Obrigada Jujuh. Adoro sua modéstia, hahaha.

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