Timidamente, a coragem

Cansei de ser alvo de apelidos, piadas e risadas, ser tida como estranha e por isso mesmo agir como uma. Eu vivia em um mundo onde era totalmente comum me olharem diferente e terem medo ou vergonha de estar perto de mim, sonhava em poder mostrar as pessoas que eu não era anormal, mas não sabia como fazer, desde que entrei naquele lugar me viam como alguém incomunicável. As pessoas mais agradáveis apenas não chegavam perto, mas haviam alguns alunos que faziam questão de me ridicularizar (com sucesso) entre todo mundo. Dessa forma, minha imagem era ligada diretamente a uma idiota anti-social.
Foi um ano de exclusão, isolamento, a turma não era grande, de forma que havia muito mais carteiras que alunos, sendo assim, as oito carteiras que me rodeavam eram sempre vazias, eu sempre chegava cedo e a medida que o colégio ia lotando eu me sentia mais distante, não tinha vontade de ir a aula, mas não podia decepcionar meus pais que até então achavam que tudo estava bem nas minhas 5 horas diárias fora de casa. Larguei toda e qualquer atividade extra, era inteligente, esforçada, mas muito incomodada com o que acontecia ao meu redor, de forma que não tinha muito sucesso com minhas notas.
Um dia tomei coragem, algo que nunca tive de fato, era uma segunda, nunca gostei de segundas, mas naquela acordei com uma meta, estava decidida a mudar minha imagem, mesmo não entendendo até então porque ela foi criada daquela maneira. Cheguei como todo dia, me sentei na minha isolada carteira, ouvi os cochichos de alguns, e esperei que os valentões chegassem, na segunda aula, e viessem me humilhar como de costume, quando o fizeram levantei-me com ar de igualdade, 43 pares de olhos, contando com o da professora, se voltaram para mim e se arregalaram ao ouvir, como resposta ao alto “ESQUISITONA” que me foi dirigido, uma resposta sem nenhuma palavra planejada, apenas seguindo a voz do meu coração, eis que eu disse “Levante aqui, quem nunca se privou de algo por medo do que diriam ao seu respeito”, hesitei em continuar, mas vi que haviam alguns que me encorajavam a isso, “quando cheguei a essa escola, fui apenas eu, não quis me passar por uma autentica adolescente comunicativa que nunca fui, lembro-me como se fosse ontem, eu, meus óculos e meus livros, se dirigindo no meio da aula para um canto da sala, havia chegado atrasado, logo começaram a me ‘zoar’, aos meus 30 minutos de escola, eu saia da sala com lágrimas escorrendo dos olhos, não aguentei a pressão das piadas direcionadas a mim, desde então não tenho nenhum amigo, tenho certeza que nunca me viram acompanhada, mas hoje decidi que eu não merecia isso, não sou esquisita, fui tida assim não sei porque, falta de sorte, talvez, mas estou aqui em nome de todos os excluídos para dizer que só o que nos falta é uma chance de mostrar que somos normais, iguais a todos vocês que muitas vezes se passam pelo que não são para serem aceitos, melhores talvez. Apenas pensem nisso.” Sentei-me, esperei, sabia que as pessoas a princípio não saberiam como reagir, mas ouvi uma salva de palmas e a partir daí fui feliz, mostrei que não sou o que os valentões dizem, e sim o que minha conduta propõe!

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. stellio mendes
    set 27, 2010 @ 15:21:34

    diz o caetano: “de perto, niguém é normal”.
    quem é neste mundo anormal, normal?
    quem está certo ou errado?

    importante da vida, é vivê-la…

  2. iasminmendes
    set 27, 2010 @ 20:59:01

    Quem sou eu para contradizer Caetano, não é mesmo (:

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